Português Italian English Spanish

José Renato - JR Um artista para Mutunópolis chamar de seu!

José Renato - JR Um artista para Mutunópolis chamar de seu!

               

Um Artista para Mutunópolis chamar de seu!

 

     As artes plásticas no século XXI já por si, enfrentam a dificuldade da diversidade. Sim, da diversidade. Considerando toda a história que compõe o arcabouço da arte ao longo dos séculos (mesmo que seja levado em conta apenas o acervo ocidental) é quase impossível falar de inédito. Original sim, porque toda vez que o artista cria, ele imprime no seu trabalho a marca própria. Isso é originalidade. Tendências inéditas parecem difíceis de ainda se conceber. Entre as tendências que povoaram e povoam o universo artístico contemporâneo, o Informalismo (surgido na França na segunda metade do século XX) parece abarcar bem o comportamento de muitos pintores atuantes. Dentro desta tendência, cada artista deixa a liberdade ao imprevisto das matérias (gosto pela mancha, pela mistura de cores e pelo acaso) e à aleatoriedade do gesto, recusando o controle, bem como a concepção tradicional da pintura e do seu desenvolvimento, que vai da ideia à obra terminada, passando pelos rascunhos e os traçados; mistura “estilos”, formas e meios e cria o próprio modo de se fazer. 
     A obra de José Renato revela convergências com o Informalismo porque mostra ser uma obra aberta, que o espectador pode ler livremente. Traz uma abordagem nova para modelos já existentes; em vez de ir de um significado pronto para construir signos, ele começa pela fabricação de signos e dá a seguir o seu significado. Ou seja, nas releituras, no que ele denomina “plágio” há o olhar recoberto pela sua forma de ver. Como por exemplo nestas, que faz declaradamente de Cezanne e uma releitura voltada à geometrização das linhas e criações de Mondrian.

      Retrato de Victor Chocquet - Releitura - Paul Cezanne - Óleo sobre tela 40 X 60


 Abstrato 1

     Poderiam ser enumeradas como características plásticas da pintura de JR: a espontaneidade do gesto, o automatismo, o emprego expressivo de cores e jogos de luz, inexistência de ideias conceituais. Conforme Adorno (na obra Dialética do esclarecimento) a experiência do feito faz nascer a ideia; a obra é o lugar e o momento privilegiado em que o artista se descobre; é o final da reprodução do objeto para a representação do tema. Nesse aspecto, pode-se descrever a obra deste artista como eclética, em que a representação do tema dependerá das leituras que faz de outros artistas ou das emoções que o dominam no memento da criação. Algumas das qualidades citadas são bem evidentes, fáceis de serem observadas:

Espontaneidade do gesto (que seria o desenho como exercício do desejo)
 

Automatismo do gesto (a suspensão do controle da razão permitindo o libertar da imagética subconsciente)
 

    O emprego expressivo de cores 

E jogos de luz e sombra

     Outra característica é a inexistência de ideias conceituais. Não há uma tendência a que tenha se filiado ou um estilo que procura defender. Na verdade, em alguns momentos ele cita a sua tendência como Zerrenatismo. Quem sabe?! Embora às vezes tome o caminho de um Dadaísmo tardio, o estilo é ausente da intenção de provocar reações atônitas, parece mais querer brincar com objetos úteis, sem nenhum compromisso. Esta vertente artística opta pelo caos, como a associação aleatória de jornais, selos e outros materiais na obra, produz a imagem com um centro luminoso e bordas disfarçadas o inexistentes, ou centro opaco e bordas luminosas.

     Adorno afirma que o homem inserido na sociedade industrial e capitalista é bombardeado pela matéria visual. Como resposta, a pintura reagiu conforme a indústria. E passou a produzir e reproduzir o que a chamada indústria cultural solicita. Ou o novo tempo requer. Essa tendência tornou-se um dos conceitos da Pop Art  que produziu uma transformação do que era comum, e aproximou a arte do consumismo, já que se utilizava de objetos próprios dela. É reconhecida como arte por poucos. Esta constitui também uma das inspirações de JR.

 
     Embora utilize a Pop Art para retratar pessoas, o seu trabalho inclui outras formas em que busca a aproximação da obra com a imagem original; mas as expressões não retratam exatamente o que está posto. Têm uma semelhança falseada da verdade. Demonstram uma forma estática, semelhante às poses montadas dos “daguerreótipos” do início do século XX, feitos pelos ainda iniciantes do trabalho com a fotografia. O que também pode revelar uma tendência, e, sem dúvida, originalidade.

     Na série Mulheres pescoçudas, JR traz características do Expressionismo alemão (embora sejam, visivelmente uma releitura de Modigliani), com traços arredondados, alongados e deformados, como um modo de captar a existência, de traduzir em imagens o sentimento que recobre a realidade aparente, de refletir o imutável e eterno do ser humano que é a sua expressão vinda do interior. O alongamento das formas, exagerando o real, serve para nos chamar a atenção ao objeto retratado. No caso o perfil das mulheres de modo geral. Nesta linha sua obra traz várias “representantes” do sexo feminino.

     As possibilidades e os caminhos são múltiplos, as inquietações parecem profundas porque a grande quantidade de possibilidades que o mundo praticamente nos impõe permite à arte contemporânea ampliar seu espectro de atuação. Isso pode influenciar ou atrapalhar a criatividade do artista. No caso de JR, parece tornar-se combustível. 
Existem ainda algumas obras impregnadas de um saudosismo romântico, com traços difusos e cores pastéis que lembram o Impressionismo da chamada Belle Époque. Nestas o pintor coloca-se com os próprios sentimentos e emoções, como se fossem reminiscências da sua infância ou de felicidades passadas:

     Em contrapartida, JR também trabalha com facilidade o gosto pelo grafite, pela garatuja e pela caricatura, inspiradas nas artes de rua com estas, por exemplo:

    

     Ele não trabalha apenas com objetos concretos e natureza morta, mas joga com sensações e emoções. Na confecção da obra predomina o óleo sobre tela, porém a matéria prima pode ser variada, como outras formas de tintas e cores, a madeira, o papel reciclado.
Já possui uma considerável obra e, ao que tudo indica, muita vontade, criatividade e empolgação para continuar. O esboço aqui composto são apenas as primeiras impressões de um apreciador e não tem nenhum compromisso formal, profissional ou científico. Entretanto, se se pode falar de impressão sobre o conjunto da obra conhecida até o momento, pode-se dizer que a predileção por cores vivas, vibrantes e por um traço vigoroso combinando força e sensibilidade é a marca original deste artista. Mesmo com todas as influências, intenções e pretensões o artista é um homem do seu tempo. Como afirma Bakhtin, somos invariavelmente cronotópicos. No traço, na busca dos modelos e mesmo nas filiações, haverá, mesmo que não queira, a marca do tempo presente. Por isso, JR é um artista do seu tempo, e esta é a sua originalidade. 
    José Renato de Freitas Almeida, nasceu em Uberaba MG em 17/02/1962, mas morou em Cachoeira Alta até o final da adolescência onde concluiu a antiga oitava série em 1976, abandonando os estudos e indo trabalhar na roça. Neste período trabalhou como tratorista, operador de máquina de esteira, colheitadeira e foi vaqueiro. Aos 34 anos voltou a estudar e concluiu o segundo grau pelo Supletivo. Aos 35 anos foi aprovado em concurso e tomou posse como funcionário do Banco do Brasil. Formado em Administração de Pequenas e Médias Empresas, cursou também uma pós graduação em DRS - Desenvolvimento Regional Sustentável pela UFLA - Universidade Federal de Lavras - MG.
    Mas desde muito cedo, a arte já se manifestava na forma do que hoje chamamos de instalações, móbiles, com ferro velho, peças de trator, discos de arados, ferramentas de trabalho, com elaborações durante a sua infância na propriedade rural de seus pais, em Itarumã GO. O que pode ser considerado uma intervenção artística de uma ação direta sobre o espaço, dado como ato de questionamento de sua infância e adolescência inquieta e ávida de conhecimentos.
    A arte em tela foi uma descoberta tardia, aos 40 anos, quando visitava projetos da AABB comunidade da Fundação Banco do Brasil. O Programa AABB Comunidade consiste em uma proposta de complementação educacional, baseada na valorização da cultura do educando e de sua comunidade.
Casado com Elza Costa (assistente social), pai de dois filhos, José Renato II e João Antônio e avô de duas lindas netas, Maria Clara e Ana Luiza.
    Após quase 20 anos trabalhando no Banco do Brasil, sendo dez anos como primeiro gestor, se aposenta e atualmente mora na Chácara Santa Juliana em Mutunópolis GO.

Da redação
Jornal Norte Aki