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Juiz eclesiástico acusado de coagir padres e forjar auditorias é solto de presídio de Formosa

Juiz eclesiástico acusado de coagir padres e forjar auditorias é solto de presídio de Formosa

Religioso conseguiu habeas corpus e foi o último entre os detidos na Operação Caifás a ser solto. Defesa nega acusações do MP-GO.

Juiz eclesiástico Tiago Wenceslau, que foi solto do presídio de Formosa

O Juiz eclesiástico Tiago Wenceslau foi solto do presídio de Formosa, no Entorno do Distrito Federal, nesta quarta-feira (18). Segundo o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), ele é acusado de coagir padres e forjar auditorias da Cúria de Formosa. Ele é o último preso durante a Operação Caifás, que apura desvios de dízimos, a ser liberado.

O padre conseguiu a soltura por meio de habeas corpus. Advogado dele, Thiago Santos Aguiar de Pádua sempre negou envolvimento do religioso com qualquer irregularidade apontada pelo MP-GO.

A análise do habeas corpus foi feita pela 2ª Câmara Criminal. O promotor responsável pela Operação Caifás, que culminou nas prisões, Douglas Chegury, afirmou que não foi comunicado oficialmente a respeito e não quis comentar o assunto.

Acusações

De acordo com investigações do Ministério Público de Goiás (MP-GO), o bispo Dom José Ronaldo liderou uma organização que desviou mais de R$ 2 milhões em dízimos, doações e taxas. O dinheiro teria sido usado para compra de fazenda de gado, carros de luxo e uma lotérica.

Ainda segundo o MP-GO, o juiz eclesiástico teria constrangido padres que queriam denunciar o esquema, coagindo-os a aderir a um “juramento de fidelidade” ao bispo, e forjado uma auditoria nas contas da Cúria de Formosa após ser alertado de irregularidades. A diocese administra 33 igrejas.

Nove pessoas foram presas no dia 19 de março por suposto envolvimento com o crime – o bispo, o vigário-geral (segundo na linha de hierarquia), o juiz eclesiástico, párocos de três igrejas, o secretário da Cúria e dois empresários. Todos negam ter cometido crime e já foram liberados.

O habeas corpus foi concedido mediante o compromisso de se apresentarem sempre que solicitado, não deixarem a cidade sem avisarem a Justiça, entregarem passaporte e voltarem para casa até as 22h.

Soltura do bispo

O bispo Dom José Ronaldo e outros quatro padres deixaram a cadeia na noite desta terça-feira (17). Sorridentes, eles foram recebidos com festa por parentes e amigos, que entoavam cânticos religiosos na porta do presídio e deram uma salva de palmas quando houve a soltura (veja vídeo).

Os acusados estavam detidos em uma ala isolada do recém-inaugurado presídio da Formosa. Eles foram presos no dia 19 de março, durante a Operação Caifás, deflagrada pelo Ministério Público. Além do dízimo, a apuração apontou que o grupo se apropriava de dinheiro oriundo de doações, arrecadações de festas realizadas por fiéis e taxas de eventos como batismos e casamentos.

Operação Caifás

As investigações sobre o desvio de dízimo começaram no ano passado, após denúncias de fiéis. Eles afirmaram que as despesas da casa episcopal subiram de R$ 5 mil para R$ 35 mil desde a chegada do bispo Dom José Ronaldo, em 2015. Na ocasião, o clérigo negou haver irregularidades nas contas da Diocese de Formosa.

Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça foram usadas na apuração. O grupo teria comprado uma fazenda de gado, carros de luxo e uma lotérica com os recursos.

A operação culminou com apreensões em Formosa, Posse e Planaltina. Durante as apreensões, foi encontrado dinheiro escondido em fundo falso de armário.

Bloqueio de bens

O juiz Fernando Oliveira Samuel, da 2ª Vara Criminal de Formosa, determinou em 27 de março o bloqueio de bens dos seis clérigos, dois empresários e do secretário da Cúria. O limite é de até R$ 1 milhão por cada. Também foi autorizada a quebra do sigilo bancário e fiscal dos acusados.

Gestor temporário da Diocese de Formosa nomeado pelo Papa Francisco e arcebispo de Uberaba (MG), Dom Paulo Mendes Peixoto criticou o bispo preso e disse que recebeu "caixa vazio e com dívida". A nomeação dele foi feita pelo Papa Francisco. Ele auxiliará nas atividades da paróquia da região até que seja nomeado um novo bispo.