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Homem conta como foi dopado e roubado por jovem em encontro: 'Acordei no hospital'

Homem conta como foi dopado e roubado por jovem em encontro: 'Acordei no hospital'

Vítima conheceu suspeito por aplicativo de relacionamento. Preso na casa de um cantor sertanejo, ele estava foragido desde outubro de 2016 quando escapou da cadeia de Aruanã após dopar os agentes.

Divulgação

Julio Cezar Faria é preso suspeito de dopar homens para roubá-los (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Um gestor empresarial, de 35 anos, denuncia que foi dopado e roubado por Julio Cezar Faria, de 28 anos, preso suspeito de cometer o crime nesta quarta-feira (3), em Goiânia. O homem conta que o jovem insistiu para que saíssem sozinhos para um bar da capital e, depois, para que bebesse. A vítima só acordou 15 horas depois em um hospital de Morrinhos, no sul goiano, após um acidente de carro.

“As enfermeiras me contaram do acidente com o meu carro. Não me lembro de nada depois do bar. Não sei porque ele pegou a rodovia. Jamais passou pela minha cabeça que ele ia me dopar. Mexeu psicologicamente e financeiramente comigo”, disse ao G1 a vítima, que prefere não se identificar.

O caso aconteceu no dia 19 de março deste ano, um mês após eles se conhecerem por um aplicativo de relacionamentos. O jovem nega o crime.

Uma foto registrada pela vítima no encontro mostra que Julio Cezar estava com um saquinho na mão (veja abaixo). O gestor crê que nele estava a substância usada para dopá-lo, que ainda não foi identificada pela Polícia Civil.

Após o acidente, Júlio Cézar abandonou o carro do gestor, um Jeep Renegade, e não o acompanhou no hospital. Ele roubou o celular e a carteira da vítima, que tinha documentos e cartões.

De acordo com a delegada responsável pelo caso, Madga D’avila Candido de Souza, a corporação conseguiu rastrear e recuperar o telefone, que havia sido colocado à venda em um site e adquirido por um jovem. Já o carro, segundo a vítima, segue estragado porque a seguradora alega que o motorista estava embriagado e não vai ressarci-lo.

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Foto mostra suspeito segurando pacote com substância que pode ter sido usado para dopar vítima (Foto: Paula Resende/ G1)

Segunda vítima

 

Também pela internet ele conheceu um autônomo de 29 anos, que prefere não se identificar. No último sábado (29), a vítima e Júlio Cezar se encontraram em um supermercado, onde compraram uma garrafa de vinho, foram para a pizzaria e, em seguida, um motel.

O autônomo acordou em um posto de saúde de Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal. “Depois de beber o vinho, não me lembro de mais nada. O pessoal me disse que um homem me deixou no posto dizendo que eu estava passando mal, que ia lanchar e que logo voltava, mas não voltou”, relata o homem.

Neste caso, conforme a investigação, Julio Cezar roubou carro, uma folha de cheque assinada, R$ 50, e o celular da vítima. Estes pertences foram recuperados com o jovem nesta manhã.

 

Prisão

 

Após dois meses de investigação, Julio Cezar foi preso na casa de um cantor sertanejo, no Setor Alto da Glória, em Goiânia. A polícia não revelou a identidade do artista.

“O Julio Cezar tentou efetuar um cadastro com uma empresa de televisão com o nome de uma das vítimas. A empresa entrou em contato com a vítima, que explicou a situação e pegou o endereço do apartamento. Então, pedi a prisão preventiva", explicou a delegada.

Julio Cezar e o cantor se conheciam há cerca de dois meses. O suspeito estava dormindo há 15 dias na casa do sertanejo após prometer emprego. "Ele disse que era empresário e tinha muita influência política, inclusive dentro do governo, podendo melhorar a carreira do cantor. O que não é verdade”, relatou a delegada.

O jovem estava foragido da Justiça desde outubro de 2016, quando fugiu do presídio de Aruanã, no noroeste de Goiás. “Um dia, cozinhando, ele dopou os agentes e conseguiu fugir de lá”, disse a delegada.

G1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária, mas não obteve um posicionamento sobre a fuga até a publicação desta reportagem.

Julio Cezar, que já possui 18 passagens pela polícia, deve ser indiciado desta vez por estelionato, falsidade ideológica, uso de documentos falsos e roubo. A polícia segue investigando o caso para identificar novas vítimas e saber se ele também cometeu outros crimes.

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Delegada mostra pertences das vítimas encontrados com suspeito (Foto: Paula Resende/ G1)