Português Italian English Spanish

MP faz 2ª fase de ação contra desvio de verba no Mutirama e Zoológico de Goiânia

MP faz 2ª fase de ação contra desvio de verba no Mutirama e Zoológico de Goiânia

Órgão cumpre quatro mandados de prisão e dois de busca e apreensão. Estimativa é que quadrilha causasse prejuízo de R$ 60 mil por semana.

 

 

 

MP faz ação contra desvio de verba no Mutirama e Zoológico de Goiânia, Goiás (Foto: Bruno Cunha/TV Anhanguera)

 

Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público cumpre nesta sexta-feira (26) quatro mandados de prisão contra suspeitos de integrar um esquema de desvio de verbas do Parque Mutirama e do Zoológico de Goiânia. O órgão também cumpre dois mandados de busca e apreensão. Essa é a segunda fase da Operação Mutigrana, que já prendeu quatro pessoas na primeira etapa.

As investigações revelaram que parte dos ingressos vendidos nos parques era falsificado. Com isso, apenas uma parte da bilheteria, vinda dos tíquetes originais, era repassada aos cofres públicos. A estimativa é que a fraude causou um prejuízo de mais de R$ 60 mil por semana.

O Ministério Público não informou quem são os alvos dessa segunda operação. Entretanto, em nota, a Prefeitura de Goiânia informou que os alvos são servidores de carreira. De acordo com o MP, todos os presos serão encaminhados para a Casa de Prisão Provisória após prestarem depoimento.

A Prefeitura de Goiânia informou que acompanha com atenção o desenrolar da operação e tem colaborado com as investigações com o objetivo de esclarecer as denúncias o quanto antes.

Na primeira fase, realizada no último dia 23, o promotor Ramiro Carpenedo Netto explicou que a quadrilha agia na Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer (Agetul), que administra as unidades, e que o dinheiro desviado era usado para fins políticos e enriquecimento pessoal.

Também segundo o promotor, a organização faturava cobrando por bilhetes vendidos em duplicidade no Mutirama. O MP apurou que algumas gráficas duplicavam os ingressos, portanto, a venda das entradas duplicadas era embolsada pela organização e não entrava no caixa do Parque.

“A gente já apurou a participação de gráficas. Não se sabe ao certo se as gráficas têm conhecimento do que era feito com os ingressos duplicados. [...]Quando o ingresso era entregue na catraca e inutilizado, rasgado, eles tinham que usar os ingressos duplicados e vendiam de novo”, explicou.

 
Bilhetes do Mutirama eram feitos em duplicidade e valor cobrado por cópias eram embolsado por organização (Foto: Vanessa Martins/G1)

Outra forma usada pelo grupo para não contabilizar as entradas vendidas era a revenda de ingressos que já haviam sido entregues na catraca e não fora rasgados. Para isso, era preciso que a organização contasse, inclusive, com bilheteiros.

“Você tinha alguém na bilheteria já direcionado para pegar o ingresso, repassar o ingresso feito em duplicidade, alguém na catraca para receber o ingresso. [...] Essas pessoas que estavam naqueles pontos recebiam valores em dinheiro e outras ainda ficavam com um pouco do que era arrecadado para elas. A maior quantia ia para os chefes da organização criminosa", esclareceu.

Na primeira etapa da operação, a direção da Agetul informou que a operação começou após uma denúncia da própria agência, que comparou o total da bilheteria deste ano com o arrecadado em anos anteriores. Em 2017, o lucro foi de R$ 20 mil, enquanto em R$ 2016, apenas R$ 2 mil. Essa discrepância chamou a atenção do órgão, que denunciou o caso ao Ministério Público.

Ainda segundo a agência que cuida dos parques, será feito um controle mais rigoroso das vendas dos ingressos. Entre essas medidas estão a aquisição de catracas eletrônicas e uso de pulseiras numeradas por parte dos visitantes.

 

Desvios

 

O promotor relata que, em um domingo no início de janeiro deste ano, foi registrada arrecadação de R$ 3 mil. Cerca de 15 dias depois, após a Agetul tomar medidas administrativas para tentar conter a organização, o registro de arrecadação foi de R$ 35 mil.

“A gente tem uma estimativa inicial de desvio de R$ 60 mil apenas no Mutirama por final de semana. Material apreendido hoje vai para área técnica para ter uma estimativa mais científica. A gente vai poder falar, com certeza, na casa de milhões. O total desviado deve chegar de sete a oito dígitos”, declarou.

O promotor destacou ainda que os membros da organização eram pessoas que tinham vínculos políticos com pessoas do alto escalão do grupo.

“Tem influência política de lideranças políticas locais. A própria gestão da organização criminosa passa por essa influência política. Ou seja, na indicação das pessoas que ocupam os cargos estratégicos nessa organização na diretoria, na presidência da autarquia em gestões passadas, na própria destinação da verba”, afirmou.