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Fachin pede que inquérito envolvendo Maguito e Daniel Vilela seja transferido para outro ministro

Fachin pede que inquérito envolvendo Maguito e Daniel Vilela seja transferido para outro ministro

Redistribuição deve ser avaliada pela presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia. Políticos são investigados por receber R$ 1,5 milhão em caixa dois, mas negam crime.

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Maguito Vilela (PMDB) e seu filho, Daniel Vilela (PMDB), são alvos de inquéritos na Operação Lava Jato (Foto: Reprodução/Facebook)

O Ministro Edson Fachin, relator da operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), pediu que o inquérito que apura recebimento de caixa dois pelo ex-senador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela (PMDB) e seu filho, o deputado federal Daniel Vilela (PMDB), seja passado para outro ministro. A redistribuição do processo deve ser autorizada pela presidente do órgão, a ministra Cármen Lúcia.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do STF por e-mail para saber se a presidente já havia recebido o pedido do ministro e realizado a redistribuição e aguarda retorno.

Os políticos são investigados por receber R$ 1,5 milhão em caixa dois da Odebrecht para campanhas, segundo as delações dos ex-executivos da empreiteira Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e Alexandre José Lopes Barradas. Conforme os depoimentos, Maguito recebeu R$ 500 mil não declarados à Justiça Eleitoral enquanto concorria à Prefeitura de Aparecida de Goiânia em 2012.

Além disso, os relatores disseram que, em 2014, quando Maguito já tinha sido eleito prefeito de Aparecida de Goiânia, o peemedebista pediu à Odebrecht uma doação no valor de R$ 1 milhão para a campanha de Daniel Vilela para deputado federal. Tal repasse foi feito ao então candidato, por meio do Setor de Operações Estruturadas e registradas no sistema “Drousys” em favor do beneficiário “Padre”.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa do deputado federal afirmou que o pedido de transferência do inquérito foi feito pela defesa de Daniel Vilela. Por telefone, a assessoria do STF explicou que o processo de redistribuição é comum em vários núcleos secundários da Operação Lava-Jato, mas que o caso será julgado normalmente por outro ministro.

Ainda conforme texto da assessoria de Vilela, “o ex-diretor da Odebrecht Ambiental Alexandre Barradas, ao citar supostos pagamentos feitos pela empresa a uma terceira pessoa a título de contribuição de campanha, afirmou aos investigadores que não conhece Daniel Vilela, que nunca discutiu doações eleitorais ou qualquer contrapartida à Odebrecht com o então prefeito Maguito Vilela e não soube especificar nem o valor da doação que alega ter feito de forma não declarada”.

Na época das delações, Maguito e Daniel haviam negado as acusações. Conforme o texto “as campanhas de Maguito Vilela, em 2012, e de Daniel Vilela, em 2014, foram feitas inteiramente com recursos contabilizados conforme determina o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aprovadas pela referida Corte”.

 

Lista de Fachin

 

Além de Maguito e Daniel, 12 governadores, 24 senadores, 36 deputados, oito ministros e cinco ex-presidentes aparecem entre os citados pelos executivos da Odebrecht na maior delação da história do país. Confira a lista com todos os nomes.

Entre os sete goianos citados está o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Segundo delatores da Odebrecht, ele recebeu R$ 8 milhões em caixa dois para as suas campanhas ao Governo do Estado de 2010 e 2014. O objetivo da empresa era receber de Perillo, em caso de vitória, o favorecimento do grupo "na área de saneamento básico”. O tucano nega as irregularidades.

Os outros citados, cujas condutas ainda serão apuradas, são o ex-senador Demóstenes Torres, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), o ex-prefeito de Trindade Ricardo Fortunato e o ex-deputado federal Sandro Mabel, todos suspeitos do recebimento de caixa dois em campanha.

Em nota, a defesa de Demóstenes Torres destacou que o ex-senador “desconhece o teor das delações, mas pode afirmar que, independente do seu conteúdo, nunca recebeu qualquer doação sem a devida declaração eleitoral, lembrando que sua prestação de contas eleitoral foi aprovada integralmente. Está pronto para mais uma vez mostrar que sempre agiu dentro da legalidade e em respeito a seus eleitores".

Já Iris Rezende destacou que a citação do seu nome “causa estranheza”. “Todos os recursos das minhas campanhas eleitorais foram apresentados ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e devidamente aprovados. Expresso minha total tranquilidade sobre o assunto e coloco-me à disposição para colaborar com qualquer investigação", disse.

Em nota, Fortunato disse que "ficou surpreso, mas expressa tranquilidade sobre a citação do nome dele na lista e vai aguardar o teor da citação para se pronunciar. Mas de ante mão, ressalta que nunca recebeu doação sem declarar ao TRE que a prestação de contas eleitoral foi aprovada integralmente pelo tribunal e diante disso tem a certeza do arquivamento".

G1 tentou contato com Sandro Mabel, mas as ligações não foram atendidas. Ao jornal "O Popular", o ex-deputado federal disse que "não viu seu nome na lista do Fachin, até porque não teria que estar".

Também serão alvo de investigação a licitação da ferrovia de integração Oeste-Leste e as obras do novo Aeroporto de Goiânia. Os casos foram remetidos à Justiça Federal em Goiás.