Português Italian English Spanish

PGR envia delações da Odebrecht sobre ex-senador Demóstenes Torres à Procuradoria da República em GO

PGR envia delações da Odebrecht sobre ex-senador Demóstenes Torres à Procuradoria da República em GO

Executivo da empreiteira havia dito que político recebeu R$ 2 milhões para campanha por meio de caixa dois em 2010. Defesa afirmou que ele esclarecerá situação em momento oportuno

 
 

Procuradoria Geral da República (PGR) enviou informações sobre as delações de executivos da Odebrecht a respeito do senador cassado Demóstenes Torres (DEM) à Procuradoria da República em Goiás. O delator Fernando da Cunha afirmou que o político recebeu $ 2 milhões da empreiteira por meio de caixa dois para campanha de 2010.

Conforme a PGR, o material foi remetido ao órgão goiano no último dia 2 de junho. Por telefone, o Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO), que responde pela Procuradoria da República em Goiás informou que ainda não registrou a chegada dos documentos.

Já o advogado do ex-senador, Pedro Ivo, disse que seu cliente esclarecerá tudo em momento oportuno.

 

Delação

 

Segundo os relatos de Fernando Cunha, Demóstenes teria recebido R$ 2 milhões para sua campanha ao Senado em 2010. Além disso, segundo o delator, foi o ex-senador quem o apresentou ao governador Marconi Perillo (PSDB), na época ainda candidato ao cargo, que teria recebido mais de R$ 8 milhões da Odebrecht.

Ainda segundo o executivo, o objetivo da empreiteira com as doações feitas aos políticos era a viabilização de um projeto para a concessão de saneamento básico nas cidades goianas do Entorno do Distrito Federal. O governador negou as acusações.

O relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, onde as delações foram homologadas, já havia informado que remeteria o caso para análise do órgão competente em Goiás para analisar as supostas irregularidades.

Na época, a defesa de Demóstenes havia dito que o político "não cometeu quaisquer irregularidades e poderá demonstrar isso, caso venha a ser instaurada investigação".

Saneamento básico

 

Ainda segundo a delação, Fernando Cunha contou como conheceu Demóstenes Torres e explicou as tratativas com o ex-senador. “[...] Aí teve um terceiro jantar, de novo na casa dele, no qual ele me pediu, já prevendo a campanha, pois estávamos em 2009, uma contribuição em caixa dois de R$ 2 milhões para sua campanha de reeleição ao Senado. Logicamente que ele se propôs a ser um promotor dentro do estado de Goiás para uma concessão para [o saneamento] desse entorno”.

Depois, segundo a delação de Cunha, Demóstenes o convidou para um jantar no Rio de Janeiro. "O objetivo era me agradecer pelos R$ 2 milhões, mas dizia muito educado, que para ele não era só uma questão de ser reeleito. Que ele precisava ter uma reeleição estrondosa e que isso significaria no futuro uma força política em Goiás, que ele poderia com isso vir a ser governador, vir a ser prefeito de Goiânia, enfim, que essa era a pretensão dele com aquela campanha".

Na época, segundo Cunha, Demóstenes acabou apresentando a ele Marconi Perillo, que era candidato ao governo.

“Em um quinto jantar, em 2010, o Demóstenes me apresentou o então senador Marconi Perillo, que era candidato ao governo. Conversamos e o Perillo destacou essa questão do Entorno do DF, pois é uma situação unânime, pois ninguém faz nada para resolver esse problema. Então o Marconi disse que ia fazer e nos pediu uma contribuição de R$ 2 milhões para a campanha dele. E isso foi feito, em nome de “Calado”, pois ele falou pouquíssimo nesse jantar. Nosso objetivo era promover em Goiás um leilão para que a gente pudesse participar”, contou.

O delator diz que, então, foram feitas as doações para as campanhas de ambos os políticos goianos e ambos se elegeram para os cargos que pleiteavam. Contudo, em 2011, antes que a empreiteira pudesse procurar os políticos para dar andamento nos objetivos, foi deflagrada a Operação Monte Carlo, que resultou na cassação do mandato de Demóstenes.

Em nota enviada na época das delações, a Saneago informou que o "Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) foi lançado em 2014 para viabilizar recursos para obras de esgotamento sanitário na região do Entorno do Distrito Federal, num valor aproximado de R$ 300 milhões".

Ao mesmo tempo, ainda conforme a Saneago, os recursos já haviam sido pleiteados junto ao Governo Federal. Diante disso, foi conseguiu o financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF), via recursos do FGTS, para essas obras. Portanto, não houve a necessidade de se estabelecer as parcerias via PMI e o processo foi arquivado.